Na última organização onde trabalhei, a cultura
organizacional era quase que absolutamente informal, sem que ninguém se
preocupasse em defini-la ou regulá-la com precisão. Entretanto, mesmo com essa
ausência de controle, em um parâmetro fundamental de uma empresa, todos os
colaboradores seguiam normas que eram compartilhadas por todos. A palavra Deus
era usada por todos, constantemente, sendo eles incapazes de definir com
precisão o que aquilo queria dizer, mas que, de alguma forma, trazia conforto e
satisfação quando pronunciada. As pessoas tinham como principal objetivo o
sexo, e todos valorizavam isso acima de tudo; no entanto, essas mesmas pessoas
associavam o acúmulo de capital a oportunidades de transarem com pessoas
melhores, e isso fazia com que elas se dedicassem a seus trabalhos,
assiduamente, pois pensavam que promoções e aumentos lhes proporcionariam mais,
e melhores, oportunidades de sexo. Essa mentalidade básica, que era seguida por
todos, sem exceções, era explicita naqueles que eram chamados de “peões” e
implícita, floreada e disfarçada, em pessoas que ocupavam cargos que exigiam
maior esforço intelectual. Aqueles que conseguiam disfarçar bem sua sexualidade
exagerada e doentia eram tidos como sendo educados e inteligentes. Um dia, um
desses seres “super-educados” disse que leu um livro de Freud; todos do seu
setor ficaram curiosos e o consideraram como sendo um dos poucos homens que
havia lido aquilo que consideravam como sendo uma espécie de “bíblia
contemporânea”. Em uma outra situação, um homem disse que havia ido na igreja;
ninguém entendeu o que queria dizer aquilo, então o homem tentou explicar o que
era: “Ah, eu fui por curiosidade, achei que era uma espécie de museu; chegando
lá peguei um papel na porta, que era tipo um itinerário, com músicas e textos.
Um homem com uma roupa esquisita ficava lendo um livro para as pessoas. Lá
dentro pude ver umas imagens e estátuas legais, mas quando tentei andar pelo
local, para vê-las melhor e mais de perto, percebi que as pessoas, pelas suas
reações, não aprovavam essa minha atitude, então retornei ao lugar onde estava
sentado e fiquei imitando o que todos à minha volta faziam.” Tudo mundo
continuou olhando, meio sem entenderem nada; então alguém falou: “Esse local
pode ser considerado como sendo um de clube do livro.” Aquele que havia ido à
igreja pensou por um momento e disse, logo em seguida: “Você tem razão, é
exatamente isso. Um grandioso clube do livro.” Todos acharam aquilo
interessante; o mesmo homem que havia definido aquele local como sendo um clube
do livro disse: “ E ainda dizem que a literatura está em baixa hoje em dia.”
Todos riram e voltaram aos seus afazeres.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Não confie em ninguém
A empresa Oleto
se preparava para um momento crucial de sua breve existência. A sociedade
limitada, que foi fundada há 7 anos e era especializada em processos de
automação inovadores — sendo a logística ousada, que integrava vários setores
da empresa, o principal diferencial. Mesmo com essa vantagem comercial
gritante, que reduzia em larga escala o tempo de realização dos serviços, a
empresa vivenciava um momento tenebroso.
A ampliação de um dos setores,
durante um momento econômico de recessão prolongada, havia reduzido
drasticamente o caixa; atrelado a essa redução exagerada, a companhia não
conseguia atrair novos clientes, novos projetos, fazendo com que os fluxos de
caixa se tornassem cada vez menores, obrigando os dirigentes a realizarem
massivos cortes de gastos, que incluíram demissões, reduções de cargas
horárias, racionamentos e reengenharia de processos.
Mesmo com a redução dos gastos, a
empresa não conseguiria se manter viva por muito tempo. A única esperança
consistia na entrada de um grande serviço, que estava sendo orçado e exigia
muito esforço por parte da reduzida equipe da Oleto.
O possível cliente, que era uma
multinacional de destaque, deixava clara a realização de múltiplos orçamentos,
com diferentes empresas. Esse fator aumentava, por si só, o nível de exigência
requerido aos funcionários. Entretanto, para agravar ainda mais o estresse que
a situação gerava, o possível cliente exigia a realização de tarefas e
apresentações periódicas, sendo elas as principais responsáveis por determinar
quem iria produzir o serviço grandioso.
Os setores de programação e hardware
se preparavam para uma apresentação conjunta, de extrema importância, que, de
acordo com os representantes da multinacional, seria a etapa decisiva em se
tratando da escolha do fornecedor.
O setor de programação possuía dois
funcionários: 1 dirigente e 1 engenheiro elétrico; muitos dos trabalhadores do
setor tinham sido demitidos, todos sendo indicados pelo dirigente. Os primeiros
dispensados do setor foram aqueles que não compartilhavam das ideias do
dirigente, de suas aflições e ódios. O único funcionário remanescente era
alguém que compartilhava das crenças e pontos de vista do seu superior
imediato. Os dois desprezavam o dirigente do setor de hardware, sendo esse
desprezo agravado em função da possibilidade de promoção, para o cargo de
diretor de processos, que estava vago e poderia ser preenchido em um momento
futuro, onde a situação econômica fosse melhor.
Rodrigo, o dirigente do setor de
programação, admitia a superioridade hierárquica de seus dirigentes. Ele
atribuía essa superioridade a oportunidades de estudos, as quais ele não teve,
fazendo com que ele se conformasse com seu papel inferior; no entanto, ele
constantemente se imaginava como possuidor de oportunidades similares, o que fazia
com que, em sua imaginação, se tornasse superior a todos os dirigentes, fazendo
com que desprezasse, até certo ponto, as posições de seus superiores, que, em
sua mente, poderiam ser muito melhores. Apesar desse desprezo oculto, Rodrigo
era solicito e sempre procurava agradar aos chefes, fazendo uso de expressões
completamente artificiais que poderiam ser identificadas facilmente através de
uma observação um pouco mais aprofundada. Ele mantinha tais relações com muita
habilidade, sem que ninguém desconfiasse dos motivos egoístas de suas ações,
que visavam nada além do que a autopromoção, nada além do que melhores
oportunidades dentro da empresa. Essa constatação, por mais simples que possa
parecer, não era obtida por ninguém, o que permitia a manutenção da estima dos
dirigentes, em função de atitudes falsas e calculadas. As pessoas nunca prestam
atenção em nada!
A subordinação e aceitação de
inferioridade — com muitos deslocamentos,
logicamente — de Rodrigo se restringia apenas
aos dirigentes. Em relação aos outros funcionários, ele não admitia se enxergar
como sendo inferior. A todo o momento em que isso ocorria, ele se sentia muito
mal e reduzido, fazendo com que se esforçasse ao máximo para desvalorizar
aquilo que lhe causava dor. De posse dessa característica intrínseca, ele era
exímio na tarefa de reduzir e desprezar os feitos alheios.
O trabalho excessivo, para a
preparação da apresentação via videoconferência, havia desgastado João, que
sofria com problemas de saúde. Essa debilidade inesperada fez com que ele
tomasse uma medida drástica.
Ele chamou Rodrigo em particular e
lhe pediu um favor:
“Oh, estou me sentindo muito mal.
Você poderia me fazer um grande favor?”
“Claro! É só falar. E, por sinal,
gostei muito da sua camisa, a cor é muito bonita, e os detalhes são
harmoniosos, além disso, ela parece ser muito confortável. Onde comprou?”
“Obrigado! Comprei em uma loja no
shopping, depois te passo o nome dela.”
“Ah, muito obrigado. Seria muita
gentileza de sua parte. E me desculpe pela interrupção, não pude evitar deixar
de fazer tal observação de algo que me agradou bastante. Por favor, continue
com o que queria me falar.”
“Oh, claro... Eu pensei que poderia
aguentar até a apresentação, mas vejo que me enganei em pensar dessa forma. Sinto,
nesse momento, que preciso, urgentemente, ir ao médico. Tenho medo de que não
consiga voltar a tempo para a apresentação. Gostaria de informar a algum dos
dirigentes sobre essa situação, mas nenhum deles se encontra presente no
momento. Tentei até mesmo ligar para um deles, mas deu ocupado, acho que eles
também estão se preparando para a apresentação...”
“Você tem certeza que não consegue
aguentar até a apresentação? Você não me parece tão mal, e sei que é forte e
pode aguentar até lá.”
“Bem que eu queria, mas é impossível, não estou me aguentando em pé.”
“Isso é uma pena! Em relação aos dirigentes, fui informado que eles estão
em uma reunião particular, elaborando algumas estratégias para conseguirem, na videoconferência
de hoje, fechar o serviço. Acho que você não deveria incomodá-los.”
“Entendo... Acho que você tem razão.”
Ele olhou receoso para Rodrigo, e, após um breve momento de hesitação,
disse:
“Meu amigo, eu realmente preciso ir ao médico. Se eu não voltar a tempo,
você poderia fazer a minha apresentação? Sei que é pedir demais, mas a situação
é urgente.”
“Não se preocupe, amigo. Farei isso por você. Antes, gostaria de saber se
preparou algumas referências impressas para a apresentação, Assim como também
gostaria de saber se sou o único a ser informado dessa sua partida inesperada.”
A expressão maliciosa de Rodrigo era gritante, mas não pôde ser percebida
por João, que era incapaz de relacionar algumas características a determinados
pensamentos e possibilidades, o que fazia com que os aspectos mais chamativos e
perigosos permanecessem incógnitos.
“Oh, meu amigo. Muito obrigado, muito obrigado mesmo! Eu separei algumas
folhas que estão na minha mesa e deverão ser utilizadas como referência para a
apresentação. E sim, você é o único a ser informado sobre isso; tentei aguentar
até a apresentação, mas vejo agora que não consigo, e que essa foi uma péssima
ideia, que fez com que eu me desgastasse ainda mais. Essa minha tentativa me
deixou ainda pior, fazendo com que eu não mais seja capaz de aguentar nada,
estou muito mal, preciso urgentemente ir ao médico. Você poderia avisar aos
dirigentes sobre isso? Você acha que pode realizar a minha apresentação? Ela é
de suma importância para o...”
Rodrigo o interrompeu e disse com convicção:
“Pode deixar comigo, João. Conheço o suficiente sobre o seu setor para
ser capaz de realizar a apresentação. Além disso, trabalhamos muito tempo,
conjuntamente, em nossas apresentações, aspecto esse que me permite apresentar
o seu trabalho, assim como lhe permitiria apresentar o meu.”
“Isso é verdade.”
Respondeu João, mais aliviado.
“Agora que já resolvemos esse assunto importante, acho que você deveria
ir, imediatamente, ao médico. Sinto muito em dizer isso, mas, realmente, você
parece estar muito mal. Pode deixar que avisarei a todos sobre sua ausência”
“Você tem razão, Rodrigo. Nem ao menos consigo me aguentar de pé. Vou
imediatamente ao médico, até mais. E, mais uma vez, muito obrigado.”
João saiu apressado, enquanto Rodrigo permanecia imóvel, absorto em
pensamentos intermináveis. Aquilo que se desenhava à sua frente parecia ser a
situação ideal, com a qual ele sempre sonhara. Em sua mente, ele se deparava
com a oportunidade ideal para desmoralizar João e torna-lo um personagem
secundário na disputa pelo cargo de diretor de processos.
Ele já havia imaginado todos os aspectos que o beneficiariam. Ele iria
fingir-se surpreso, assim como todos os presentes na apresentação, com a
ausência de João. Ao mesmo tempo, ele planejava tentar realizar a apresentação
alheia, com isso mostrando comprometimento para com o projeto, característica
essa que ele iria se esforçar para mostrar que o outro dirigente, que se
ausentou, não possuía.
O plano inescrupuloso deveria ser muito bem executado, pois qualquer
falha poderia fazer com que tudo aquilo se voltasse contra ele.
Mesmo com uma grande possibilidade de erro, Rodrigo se sentiu confiante,
e encarava aquela situação como sendo a oportunidade perfeita, e única, podendo
até mesmo resultar na demissão de João. A época tenebrosa pela qual passava a
empresa não descartava tal possibilidade. Em sua mente uma linha de pensamento
o encantava: “Muitos funcionários foram demitidos sem nenhuma falta grave,
imagine o que ocorrerá, nesse momento delicado pelo qual passamos, com um
funcionário que comete uma falta grave, ainda mais relacionada com o projeto
mais importante da existência dessa empresa. Com certeza ele será demitido e eu
não mais terei concorrentes para a posição de diretor de processos”.
Esses pensamentos percorriam, incessantemente, a sua mente.
Naquela noite, durante a videoconferência, Rodrigo apresentou sua parte
do projeto e tentou apresentar a parte de João, sempre salientando a falta de
respeito do colega em não o avisar sobre sua ausência. A todo o momento ele
salientava o fato, fazendo com que os dirigentes, que estavam presentes na
apresentação, se sentissem ainda mais inconformados com aquela ausência
inesperada.
Os representantes da multinacional se sentiram incomodados com a
ausência, considerando-a como uma falta de comprometimento imperdoável, que
colocava em dúvida a capacidade da Oleto em cumprir as tarefas que deveria
executar para a realização do grandioso serviço, sendo essas suspeitas
suficientes para abalar a confiança e, consequentemente, a possibilidade de realização
de negócios.
Essa característica fez com que a ausência de João fosse agravada ainda
mais.
Ao mesmo tempo que a Oleto perdia sua principal chance de salvação,
Rodrigo se esforçava para deteriorar, ainda mais, a imagem do colega, que, após
retornar à empresa depois de alguns dias internado com pneumonia, se tornou
absurdamente abjeta.
Mesmo
com suas tentativas esforçadas de defesa, a mentalidade dos dirigentes já
estava decidida. Em função daquilo que consideravam ser uma ausência sem aviso
prévio, sem qualquer tipo de comunicação a quem quer que fosse, em um momento
de extrema importância para a empresa, e que comprometeu um projeto importante,
João foi demitido e o seu setor foi integrado ao setor de programação.
A tale about love and stupidity
She always been an unusual girl,
obscure. On her face was possible to verify that she was unable to control herself;
this aspect was accompanied with a strong impression of a person who overflow,
exhaling an intense energy, profound and savage, in all directions. The lack of
illusions or a stablished structure, or way, made her able to see many aspects
that were hidden to the other persons, because their illusions and well defined
mental structures. This aspect made her extremely inconstant, mutable,
mysterious and unpredictable, being dependent of the external environment do
define her character, being a whole new person depending on each situation that
she was facing. With this mutable aspect of her constitution, she constantly
felt as if her world was falling apart; the absence of defined structures, of
illusions and mechanisms that make feelings less intense, made her feel a deep
strength, coming from the deepest spots of her mind, every time when she faced
a new situation, or a deconstruction that destroyed her weak structures, her
mutable structures, and made her feel low, feel bad, attribute that inspired her
to change these obscure and terrifying scenarios that were formed in her mind.
That strength was something that make people jealous, for sure; however, for a
spectator who pays more attention was possible to identify a deep trauma, an
unusual mental constitution, as the generator of all that wild impulse, of all
that will. It seemed that she possessed a rare ability that I have never seen
before; her mind had kind of a huge capacity of imagination, an incredible
ability of giving a rational interpretation to many of her deep feelings,
attribute that make her deconstruct every well directed and strong unconscious conceptual
construction in her mind, making her face the reality without illusions or
ideas that make things easier and less intense. Her energy was created by scary
scenarios, by hurtful memories, and has as a goal changing everything that
bothers her, transforming the painful scenarios. Every new activity, every new attempt, was
seen, by her, as a chance of salvation, as an opportunity to change everything
that terrifies her. Everyone should have the opportunity to see her, to see her
capacity of trying, that was almost unbelievable; constantly I saw her body full
with cuts, bruises, burns and injuries, all in function of her intense
attempts, or, to be more precise, almost everything.
Some
of her scars and bruises were not descendant only of her untamed will; and it
seemed almost unbelievable — for a girl who loves to be alone and who pushed away, wisely and
carefully, everyone who tried to know her better, who tried to approach her, motivated
by her special aspects that in the minds of the admirers make them imagining as
being owners of these characteristics that make them felt more potent and
strong as never before — that a few hurts on her body were caused by people who were next to
her. I have never saw someone being so hated, it is serious, and the reasons
for that were vast and multiple. In the first place, people around her hated
her almost unconsciously, these sensations came as if they where something
profound and mysterious, as a strong feeling that they did not have enough imagination
and a logical capacity to measure with precision, to bring out from the dark
corners of their minds and to set in a more illuminated spot, making them
acting in function of these unconscious feelings and interpretations without
being able to measure, control and change them. When she entered in any place
it seemed as if she was kind of a wrecking, a wild destruction capable to
pulverize any well directed mind structure; only with her intense and unique
way of being she made everyone starts to question their most profound
illusions, that even with a small touch of doubt made people desperate, making
them hate, intensely, what started this despiteful feeling. In other persons,
her unusual way stimulated an intense curiosity, a deep and strong admiration;
she, that presented a constitution absolutely new, cannot be defined with
precision by anyone, this happened in function of the lack of similar
references that could be used as a base for a possible classification; without
an usual reference she was developed only by other’s people imagination, that
we all know that are unreal and exaggerated, making her become an intense and
beautiful symbol, that promised unimagined rewards in the deepest spots of
other people’s mind; and the common sense have the courage, the ignorance, to
say that beauty is only a symmetric facial
traits, or a body that is the latest trend… This reason, that only seems to
stay away from a profound hate, made many people try to talk to her, to know
her, and they were rejected, rapidly, by that different and special person. The
motivation for these rejections was obvious: Those people were limited and
cannot proportionate nothing to a person like her; their lack of imagination,
that make them susceptible to things that people say to them as being the truth
about the reality, made them had a small mind, that only could have simple and superficial
interpretation about feelings and things; in this aspect, they always found the
sexuality as being their most strong impulse and motivation, making them
imagining everything as being a sexual relation to them, this characteristic make them not dig their
minds in a more deep and multiple way, because of their well directed concepts
that could only see thing in a sexual way and nothing else. Even with a polite
rejection, she caused damages to the inflamed egos of her admirers; because of
being in front of something far beyond their own capacity, their own being,
these admirers felt reduced, being necessary, at any coast, deconstruct that
intense image in their heads, that caused a huge bad sensation, making them
felt low. This depreciation was executed efficiently by many people and,
consequently, the blind, stupid and susceptible ones absorb every words said by
damaged egos as if were unquestionable truths. To be more precise, these
ridiculous people gave a connotation of certainty and truth to painful and
insecure declarations of the admirers, making them becoming estimated by these
old admirers by reassuring and confirming insecure concepts, about people that
they never really interacted with. Another motivation for hate was brought by
all that unusual impetus, all that beauty and intensity of that amazing person,
that made people realize how much they were limited, small, unconscious, this
sensation was abandoned with the depreciation and the hate against the one who
started these feelings.
The
reunion of these reasons created a generalized hate that constantly made every
action of the unusual girl be interpreted as being futile, stupid and evil,
creating a bad interpretation for all her acts, being this bad interpretation
created by the worst things that the haters could imagine. In these minds, that
always run away from strong feeling, from guilty, the capacity to have bad
feelings about other people are amazing, extremely well developed, making these
persons to be able to imagine, rapidly, many bad aspects and motivation to
anything, creating an awful connotation to whatever they want. In these
unconscious minds this act of self protection were interpreted in a wild way,
acquiring huge and unreal proportions, making the act of hating someone or some
idea even more intense, even more dangerous to the people that they don’t like,
to the ones who make them felt bad about themselves. Remembering some moments,
I feel amazed to know that she is still alive; I will never forget when five
girls tried to beat her and, even after being stabbed by one of the aggressors,
she passed out three of them and made two other girls run away desperately.
This last story was extremely
unusual and dangerous, demanding, for sure, an intervention coming by me, the
only person truly capable of realize all her rarity and all the perfection of
that girl, but that I felt incapable to do. This incapacity was not descendant of
cowardice or anything like that, but was fruit of a delusional curiosity, of an
intense will to know the truly dimension of things, their real aspects,
exploring these things by experiences, feelings, and organizing and giving
meaning with my imagination and my logical capacity; having this profound will,
primarily I destroyed my ego, that made me keep distorted interpretation about
the reality, and, consequently, I struggle myself to live uncommon and intense
situations, many times creating them by myself, waiting that with this I could
be able to made a profound and essential discovery. In that time I was young
and hopeful, and thought that I possessed a powerful brain, capable to
interpret, to imagine, to reunite the truly dimension of my feeling and things
around me… Ah, sweet illusion. That fight was only one more occurring that I
cannot measure with precision, one more experience that was inutile, that did
not reveal nothing and almost cost the life of the person that I like the most…
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Minhas impressões sobre o livro: A teoria do romance
Passo agora a me concentrar
em lhe descrever minhas impressões sobre o livro de Lukács, que me deixou
decepcionado, fazendo, até mesmo, com que eu riscasse uma de suas obras de
minha lista de leitura, por não mais considerá-la como sendo capaz de
acrescentar muitas coisas —
sendo o meu tempo para a leitura um tanto escasso não posso me dar ao luxo de
ler obras que sinto não poderem me acrescentar e ajudar muito. A obra em
questão é: A ontologia do ser social, podendo eu deduzir como sendo o livro
onde Lukács diz ter encontrado as respostas que faltaram na teoria do romance,
que, no entanto, são evidentes, sendo elas direcionadas ao materialismo, o que
me fez deduzir que em sua obra posterior o autor torna-se capaz de capturar o
espírito do nosso tempo através de uma perspectiva materialista, aspecto esse
que é absolutamente correto, completamente gritante e descaradamente evidente,
mas que não me ajuda a desenvolver minhas ideias, que se encontram em esferas
mais profundas e fundamentais da nossa constituição.
Ao
mesmo tempo que Luckács parece se esforçar para formular conceitos, que são evidentes por si próprios, praticamente gritantes quando observamos as pessoas e suas motivações, e não exigem muito esforço de observação, gostei, até certo ponto, do
modo como o autor traça a evolução de modelos literários predominantes em cada
época, que vieram descambar, segundo o autor, no romance moderno, onde tudo é
desconstruído e não resta mais nada de concreto. Na evolução cronológica,
traçada pelo autor, ele generaliza e comete erros; diz que antigamente existia
a tragédia, onde o herói enfrentava muitas dificuldades, mas que internamente
eram irrelevantes, pois os protagonistas possuíam um conteúdo conceitual forme
e inquestionável, que os direcionavam , sem maiores problemas, por essas
empreitadas; posteriormente veio o romance romântico, onde o herói passa por
períodos conturbados, onde a incerteza é eliminada com a estruturação de
conceitos exatos, que passam a direcionar o protagonista — caso esse que
considero como sendo o estilo do meu primeiro livro —; e, alcançando aquilo que
o autor diz ser o momento literário contemporâneo, encontramos o modernismo, ou
o romance moderno, onde nada sobrevive, onde tudo é destruído e se renova a
todo o momento. Ao meu ver, essa definição é errônea. Através dos tempos, grandes
autores modernos escreveram em períodos de predominância romântica ou
dramática, assim como obras românticas e dramáticas ainda existem em nosso
mundo contemporâneo.
Desse
modo, podemos dizer, sem titubear, que no mundo existem infinitas perspectivas,
sendo que o modernismo existiu na tragédia e no romance romântico, e
vice-versa, cabendo apenas aos detentores de poder determinar conceitos
vigentes, aquilo que deve ser seguido e valorizado em detrimento daquilo que
deve ser desestimulado e marginalizado. Essa perspectiva me deixa um tanto
triste, até certo ponto, pois me faz imaginar em quantos grandes livros foram
simplesmente descartados e nunca publicados, ou analisados por um grande
público, por causa de suas inadequações aos parâmetros vigentes, à estrutura e
à forma vigente de se enxergar e interpretar as cosias. A investigação da
determinação dos valores vigentes, que é muito mais interessante, pelo menos
para mim, e complexa, é deixada de lado pelo autor.
Ao mesmo tempo que uma questão importante
é ignorada, considero que autor comete outro grande equívoco ao dizer o quanto
a literatura faz uso da filosofia em suas construções, mas, mesmo com todo o
empenho dos autores, não consegue fazer uso de praticamente nada que os
conceitos filosóficos têm a nos oferecer. Essa afirmação me incomodou e foi
mais uma generalização infeliz.
Podemos salientar o quanto Tolstói faz
uso de conceitos elaborados por Espinoza ou o quanto Dostoiévski faz uso de
ideias de Schopenhauer mas não é capaz de elaborar histórias que contenham a
vastidão conceitual do filósofo alemão, assim como podemos citar vários
exemplos de autores que fazem uso de apenas uma simples interpretação ou
conceito de uma grande filósofo para desenvolver toda uma história. No entanto,
deparamo-nos, muitas vezes, com autores que abandonaram a filosofia e se
dedicaram exclusivamente à literatura, por considerarem a segunda opção, e
somente ela, capaz de transmitir e relatar experiências que o formato do texto
filosófico de suas épocas era incapaz de mensurar e estruturar, o que os
possibilitou criarem obras que servem de referência para a elaboração de teses
filosóficas, atributo esse que torna a generalização de Luckács ainda mais
descabida.
Entretanto, o livro tem lampejos
realmente interessantes, que nos conduzem diretamente a questões
contemporâneas, a problemas que a cultura da desconstrução incute em nossas
mentes e não mais nos permite possuir uma vida saudável e eficiente, mas,
infelizmente, tais questões, que realmente me chamaram a atenção, foram
simplesmente abandonadas, deixadas de lado para a continuação da exposição dos
formatos literários.
Essa omissão fez com que eu ficasse um
tanto irritado, mas, ao mesmo tempo, me agradou, por fazer com que percebesse
que meus escritos e propostas não são inteiramente descabidas, e tratam de
assuntos que incomodam, até mesmo, grandes escritores.
Para externar com precisão minhas
impressões acerca do livro, tentarei citar algumas questões relevantes que o
livro suscitou em mim:
“Como recuperar a eficiência de um mundo
bem estruturado em uma mentalidade que foi demolida?”
“Os livros de Tolstói parecem nos remeter
à nossa natureza mais profunda, relatando experiências incríveis, como as
reveladoras vivências de quase morte nos campos de batalha. Mas, no entanto,
esses lampejos da verdadeira existência deixam muito a desejar, pois sempre são
muito curtos e não nos permitem analisa-los com precisão.”
“Muitos livros são realmente perigosos;
eles nos permitem desconstruir nossas lembranças mais entorpecedoras, fazendo
com que sejamos inseridos em quase que um novo mundo, em um lugar desconhecido
e doloroso, de onde corremos o risco de nunca mais sairmos, de nunca mais
termos uma vida saudável.”
“Muitos escritores, que são considerados
como sendo imortais e grandiosos, me parecem ser nada além do que homens
superficiais, egoístas e incoerentes. Sinto que eles foram os responsáveis por
fazer com que a religião, a cultura, se tornasse imprescindível para o ser
humano, que, quando não abraça fortemente conceitos pré-determinados e
limitados, se vê irremediavelmente desesperado, e sem alternativas, quando se
depara com perspectivas novas, com novas associações e formas de ser, fazendo
com que aqueles que experimentam sensações novas, ou até mesmo se arriscam em
direção à descoberta de novas paragens, tornem-se os religiosos, ou os seres
sociais, mais adeptos e fervorosos. Isso me incomoda muito, e, desde sempre, me
vi imbuído da tarefa de ser o responsável por acabar com essa palhaçada
ridícula.”
“Quando existiu uma paixão sensata e
contida? Quando existiu um sentimento doloroso que não se amplia com o passar
do tempo até se tornar alguma coisa completamente desesperadora? A resposta
para essas questões é óbvia, sendo ela um categórico: nunca! Entretanto, essas
questões iniciais levantam ainda mais questões... O que quer dizer aquilo que
sentimos? Qual o motivo de muitos de nossos sentimentos e desejos?... Tais
questionamentos nos parecem ser eternos, para sempre destinados a rondar nossas
mentes, permitindo-nos encontrar uma infinidade de respostas plausíveis durante
cada uma de nossas exaustivas investigações; entretanto, uma coisa me sinto
seguro em dizer: Vivemos vidas cheias de som e fúria, que não significam nada.”
“Possuir um ideal inalcançável, capaz de
estruturar e direcionar toda uma existência. Será essa a única forma de
possuirmos uma vida saudável?”
A intenção do autor de sistematizar e de
fugir de análises mais profundas, para não correr o risco de dizer coisas
absurdas, me incomodou, podendo eu dizer que meu estilo é completamente
diferente; sendo eu um Zé ninguém, sem nada a perder, escrevo sobre minhas
sensações mais esquisitas, assim como tento explorar as sensações mais
incomuns, profundas e afugentadas das outras pessoas, permitindo-me, apenas
assim, elaborar os conceitos que, para uma mentalidade alienada e iludida,
parecem ser os mais absurdos e incoerentes, afinal, todo conceitos elevado e
exato foi, um dia, algo esdrúxulo e incompreensível, e isso não é de se
espantar quando analisamos o quanto nossa cultura vigente é covarde e deturpa,
de forma assustadora, a realidade em função da manutenção de interpretações
artificiais e completamente incoerentes.
Mesmo me sentindo corajoso, e até mesmo
inconsequente, quando me proponho a explorar algo, sinto-me sempre triste ao
ler meus textos, pois acho que eles não são capazes de transmitir aquilo que enxergo,
que sinto; essa sensação me incomoda e me faz questionar minhas empreitadas
literárias, que parecem não surtir nenhum efeito em ninguém, sendo, dessa
forma, uma perda de tempo, que poderia ser direcionado rumo a uma atividade
mais relevante aos olhos das outras pessoas, que, por incrível que pareça, são
incapazes apreciar e realmente valorizar o importante papel que tem a
literatura em nossas vidas.
Sem defender nenhuma posição e escrevendo
apenas por diversão, tenho apenas em mente o quanto alteraria minha escrita se
tivesse pretensões acadêmicas, como as de Luckács; o que, mesmo assim, já é o
suficiente para aceitar um livro um tanto covarde. Ao mesmo tempo, tenho de
levar em consideração o quanto os livros de Luckács foram minuciosamente
analisados e debatidos ao longo dos anos, fato esse que fez com que muitos de
suas proposições, que a princípio eram originais e revolucionárias, parecem-me
completamente batidas, nada além do que uma repetição enfadonha. Encontrando
suas ideias em muitos outros livros posteriores, talvez tenha perdido o encanto
de me impressionar com uma definição inovadora no livro que li; essa sensação
foi por mim observada também no livro: Em busca do tempo perdido, que, de tanto
ser analisado, usado como referência e citado, tornou-se um livro simplório,
onde as grandes descobertas do autor tornaram-se banais, corriqueiras e
incapazes de justificar a dedicação a uma leitura extensa.
Para finalizar, essas foram algumas das minhas impressões com relação ao
livro, sempre lembrando que a minha opinião é a de um leigo, que não conhece
profundamente Luckács, nem suas obras e nem suas referências.
Estrutura intrínseca do livro Laer Roma
Para cumprir o que prometi, irei
descrever, espero que de forma sucinta, como que estruturei o livro Laer Roma,
que, como já disse, é muito mais profundo do que parece.
Como você pôde perceber, o livro: O
diário é uma continuação, ou, melhor dizendo, é um livro onde continuo a
abordar, de um jeito mais profundo e original, muitas das ideias presentes no
Laer Roma.
Antes de iniciar a explicação, é
preciso dizer que ambos os livros se tratam de alienação, de imposição social,
que transforma as pessoas, fazendo com que elas absorvam conceitos responsáveis
por definir tudo aquilo que elas sentem ou pensam. No primeiro livro, essa
questão é limitada ao embate entre o agente responsável pela inserção dos
conceitos vigentes —a mãe — e o indivíduo que assimilará tais conceitos,
passando a possuir uma mentalidade específica e pré-determinada — o filho —;
nesse processo comum, com o qual nos deparamos constantemente ao longo de nossas
vidas, o filho deve abandonar qualquer tipo de particularidade para absorver
aquilo que lhe é imposto. Nesse primeiro livro essa relação é ridícula, pois a
mãe, sendo ela destituída de força de vontade, egoísta e restringida por suas
ilusões entorpecedoras, é incapaz de representar um desafio à altura do
protagonista, que a refuta sem nenhuma dificuldade, podendo ele, sem se ver
obrigado a absorver nada, ser capaz de estabelecer associações próprias,
estritamente relacionadas com aquilo que ele realmente sente e percebe.
Para colaborar com essa batalha
relativamente fácil, agentes externos e um pai autoritário também foram
eliminados.
No segundo livro, o ambiente
torna-se mais amplo. A família do protagonista não é autoritária, não tem de
ser combatida em busca de uma mentalidade própria; entretanto, a imposição
social ocorre através das interações do protagonista em sua escola que tem o
nome de Riulop, que ao contrário quer dizer poluir, representando assim uma
instituição responsável por introduzir valores e definir um modelo específico,
que deve ser valorizado por todos, sem exceções.
A discrepância entre as
interpretações do protagonista e os valores vigentes faz com que ele passe a se
enxergar como alguém retrógrado, abjeto, por não se adequar àquilo que é
estimado por todos, assim desenvolvendo uma má consciência a respeito de si
mesmo e de suas atitudes.
Em um terceiro livro pretendo
explorar a interação entre o filho e um pai autoritário, mas esse é um projeto
futuro...
Voltando ao primeiro livro (Laer
Roma), pode parecer estranha a data da história, que ocorreu em 1978, no
entanto, essa data é fundamental para que eu pudesse alcançar aquilo que
pretendia com o livro, que era a criação de uma ilusão por parte do
protagonista.
No segundo livro escrevo sobre o
quanto a internet nos permite realmente desenvolver aquilo que antes era
desenvolvido inconscientemente, apenas pela nossa imaginação mais
irrepreensível e exagerada, dessa forma mostrando o quanto nossa vida é vazia,
o quanto as recompensas impressionantes e os cenários suntuosos existem apenas
na nossa imaginação, sendo esses exageros criados em função da falta de uma
confrontação da realidade com aquilo que se passa na nossa mente. Dessa forma,
foi meu desejo escapar de uma era digital, onde todo mundo encontra todo mundo,
para que o protagonista desenvolvesse suas interações, com a pessoa que
simpatizava, através apenas de seus desenvolvimentos inconscientes e
exagerados, que, por fim, transformaram uma afinidade banal em uma ilusão exagerada
e absurdamente intensa.
No fim do livro, em meio ao auge de
sua ilusão, o protagonista reencontra aquela que incita o seu ideal, sendo esse
encontro cortado, propositalmente, pois a partir daí existirá apenas desilusão,
o que não agrada as pessoas comuns, que estão a todo o momento em busca de uma
ilusão, sendo o amor a maior dessas ilusões; lembre-se que o Laer Roma é um
livro comercial, tem que estar relacionado ao que a maioria das pessoas almejam
e àquilo que elas são capazes de assimilar.
Utilizando conceitos cotidianos,
tive de fazer muito uso da aparência física dos personagens, por ser esse um
dos principais parâmetros em se tratando daquilo que uma pessoa é capaz de
pensar sobre a outra. Também fiz uso de estereótipos, com os quais me deparo constantemente
durante as conversas com as pessoas mais cegas e estúpidas, sendo elas,
infelizmente, a grande maioria das pessoas que encontro; esses estereótipos
fizeram com que eu abandonasse a necessidade de uma análise mais aprofundada e,
ao mesmo tempo, foram os responsáveis por fornecer para o leitor a forma pela
qual eu gostaria que eles enxergassem os personagens que compõe a trama: uma
pessoa que valoriza sua aparência, a obtenção de músculos, como sendo alguém
quase que retardado e incapaz de reflexões, pensamentos profundos e sentimentos
intensos; uma mãe fútil que valoriza nada além do que seu status social e o
dinheiro; uma menina estúpida, incapaz de elaborar conceitos próprios, tendo de
assimilar tudo aquilo que dizem ser a forma correta de se interpretar as coisas
e os acontecimentos. Além disso, tive que fazer com que o personagem principal
fosse alguém rico, aspecto esse que também contribui para um julgamento
positivo por parte do leitor, afinal, vivemos em um mundo absurdamente
alienado, materialista e estúpido.
Mesmo com um objetivo a ser
alcançado, os personagens utilizados na história são, ao meu ver, rasos e mal
elaborados, mas as pessoas gostaram, pelo menos me dizem isso Ha Há, e isso é o
mais importante.
Além dessas características cotidianas,
também tentei salientar o quanto as pessoas são egoístas, assim como o quanto
os governos e as sociedades são movidas por desejos e motivos egocêntricos, que
não visam nada além do que benefícios próprios. Além dessa característica,
tentei demonstrar o quanto nossa vida social, nossa vida cotidiana, é falsa,
cheia de expressões dissimuladas, cheias de segundas intenções, que escondem
verdadeiras impressões e motivações. Tentei externar essas referências de forma
implícita, utilizando para isso os discursos da mãe e da Isabela; achei que
para tanto não precisaria fazer uma referência muito profunda, por considerar
ser essa uma característica muito comum, sendo as pessoas capazes de facilmente
identificar tais aspectos. Ao meu ver,
essas características tão comuns são as responsáveis por afastar as pessoas de
qualquer tipo de verdade sobre si mesmas, assim como as afastam de descobertas
mais profundas. “A coisa mais perigosa é a mentira; o homem que mente acaba
mentindo para si mesmo, até o ponto de não mais identificar qualquer tipo de
verdade. Após isso, sem poder identificar motivos verdadeiros, ele se torna
incapaz de amar, se torna incapaz de realmente enxergar, passando a viver uma
vida absolutamente artificial e falsa, sem nenhuma relação com o seu verdadeiro
ser.” Nesse contexto, tento, através do livro, valorizar a sinceridade, algo
tão raro atualmente, assim como tento demonstrar o quanto uma constituição
destituída de ego é capaz de fazer associações mais abrangentes e exatas, por
ser ela destituída de algo a ser protegido, de algo que precisa ser estimado,
aspecto esse que faz com que as pessoas egocêntricas tenham uma concepção
completamente deturpada sobre as cosias. O personagem principal tenta
demonstrar a supremacia de uma constituição destituída de ego e sincera, em
detrimento de constituições dissimuladas e egoístas (como as de sua mãe e a da
Isabela). Ao mesmo tempo que o personagem demonstra claramente sua
discrepância, sua mãe acaba por identificá-lo como uma ameaça àquilo que ela é,
fazendo com que ela se sinta mal perante um mundo sem ideais entorpecedores,
passando a desprezar o filho, atribuindo tudo que ela considera como sendo as
piores características, que uma pessoa pode possuir, à pessoa que ameaça seus
ideais e desejos impensados e mundanos. Nesse caso, tento demonstrar o quanto a
maternidade não é motivo suficiente para evitar um desprezo profundo, um ódio
profundo.
Em se tratando dos principais
objetivos do livro, posso dizer ser a desconstrução de uma interpretação Freudiana
a principal razão da minha empreitada em desenvolver a história. Não sei te
explicar o quanto a perspectiva comum me enoja; as pessoas são incapazes de
analisar o que quer que for, e, consequentemente, reproduzem, sem nem ao menos
parar para analisar aquilo que repetem e valorizam, tudo aquilo que foi dito e
imposto como sendo a verdade. Nesse mundo alienado e sem qualquer tipo de senso
crítico, vejo Freud como sendo um dos autores responsáveis por definir os
pilares da nossa cultura cotidiana, e, portanto, alguém a ser combatido,
desacreditado, tendo como objetivo a destruição de regras e definições
incoerentes. Meus estudos sobre as teorias Freudianas foram exaustivos, e seus
textos são, em grande parte, muito incoerentes; mas, ainda mais distante do que
muitas proposições inconsistentes do autor, vejo as pessoas como reprodutoras
de tais conhecimentos, sendo elas incapazes de ler qualquer um dos textos e
conceitos que citam, mas, ao mesmo tempo, possuindo uma vontade imensa de
citá-los, incorporando-os a definições impensadas e ridículas, e isso é o que
mais vejo atualmente. Essa vontade, essa necessidade, de citar o autor tem
relação com a mistificação do mesmo como sendo a pessoa mais precisa, mais
coerente, em se tratando de interpretar a realidade e a natureza humana, o que
considero ser completamente equivocado, exigindo, por minha parte, um esforço
literário para introduzir novas possibilidades e alternativas, que permitem que
as pessoas possam refutar as limitadas teorias Freudianas, que, infelizmente,
ditam a forma como as pessoas interpretam os acontecimentos atualmente. Para
tal tarefa, que não foi fácil, fiz uso de escritores que refutam as bases das
proposições Freudianas, sendo Jung o principal deles, utilizei-os para que
pudesse adequar minha forma de pensar a modelos anteriores, que já haviam sido
elaborados e que não parecessem absurdamente estranhos para as pessoas.
Infelizmente, alguns desses conceitos, opostos aos conceitos Freudianos, possuem
aspectos místicos, atributo mortal em nosso mundo moderno materialista, sendo
essa outra razão para a publicação do livro, o estabelecimento de conceitos,
antes místicos, inexplicáveis e raros, tendo como base aspectos realistas e
palpáveis.
Mesmo sendo essa uma razão
suficiente, ao meu ver, para a publicação do livro, ela não foi a única, e, até
certo ponto, foi um motivo quase que secundário. Aquilo que muito me motivou a
escrever o livro foi a vontade de estimular as pessoas a desenvolverem seus
próprios conceitos, suas próprias histórias, permitindo com que se tornassem
independentes, donas do seu próprio mundo, não mais necessitando de
instituições que determinem aquilo que elas devem pensar ou sentir; além disso,
quis fornecer uma vasta referência literária, a qual não é encontrada durante o
ensino médio, mas que, na minha opinião, é de suma importância em se tratando
de elucidar questões pelas quais passam alguns adolescentes, sendo, até mesmo,
imprescindível para um adolescente intelectual, que se depara com problemas
intelectuais. Vi a necessidade de fornecer tais referências em função dos
livros que fui obrigado a ler no colegial, sendo todos eles completamente
inúteis em se tratando de fornecerem ferramentas que me ajudassem a resolver
questões que me incomodavam, e servindo apenas para fazer com que eu repudiasse
a literatura, por considerar que os livros eram sempre enfadonhos e
desnecessários, atributo esse que é não correto.
No manuscrito original é possível
encontrar muitos e muitos erros gramaticais, de concordância, etc. Minha intenção
era deixar clara a falta de conhecimentos gramaticais que, mesmo assim, não foi
capaz de impedir o autor de desenvolver no papel as suas ideias. Essa
característica, que permaneceu na versão final, tornando-se apenas menos
frequente, tem como intuito incitar a sensação que tive quando descobri que
Dostoiévski escrevia muito mal, que Bukowski escrevia como um semianalfabeto e
que Rimbaud não se importava nem um pouco com a gramática, desde que suas
ideias estivessem claras no papel; saber que esses grandes escritores não se
importavam muito com a gramática fez com que eu abandonasse minha insegurança
com relação ao uso correto da língua portuguesa, permitindo-me, somente após a
superação desse medo paralisante, desenvolver minhas histórias e impressões, e
é isso que almejei transmitir às pessoas que leram o meu primeiro livro.
Quando jovem adquiri uma certa
obsessão por livros que desrespeitavam regras gramaticais ou tentavam criar uma
gramática própria, um sistema próprio de descrição e classificação das coisas.
Esse ato de transgressão não era apoiado por ninguém, mas muito pelo contrário.
Minhas tentativas exaustivas de abolir a crase ou de criar uma gramática sem
ss, sc, c, ç, sem acentos, em vista de criar palavras mais fáceis e uniformes,
com o intuito de diminuir o tempo que as pessoas gastam aprendendo o idioma e
as permitir gastarem mais tempo com o desenvolvimento de suas ideias, eram
tidas apenas como uma necessidade preguiçosa, o que era totalmente equivocado,
sendo, pelo menos para mim, a adequação a regras anteriormente estipuladas uma
atitude muito mais fácil de ser alcançada, quando comparada à criação de um
sistema próprio e coerente. Lembro-me até mesmo da primeira vez que descobri
que gostava muito de literatura, sendo essa vez uma conversa que tive com um
amigo, que me disse que prezava muito mais os autores analfabetos, pois esses
pareciam dedicar muito mais tempo ao desenvolvimento de suas ideias e
impressões do que à maneira gramaticalmente correta de descrever aquilo que
sentiam e pensavam, fazendo com que seus livros se tornassem muito mais
completos e interessantes do que os livros de autores muito preocupados com a
gramática, que pareciam dedicar muito mais tempo pesquisando a forma correta de
se escrever, em detrimento do aprimoramento de suas ideias. Essas palavras, de
um amigo meu, soaram, para mim, como um ato extremo de transgressão, que ia
completamente contra tudo aquilo que eu havia aprendido como sendo literatura
desde então. Eu via professores analisando autores apenas através da capacidade
de seguir regras e escrever corretamente, sendo esse atributo colocado em
primeiro lugar e eclipsando qualquer tipo de análise mais profunda dos textos,
aspecto esse que me incomodava muito, exageradamente, exigindo, de minha parte,
a necessidade de tentar mostrar que a literatura de verdade é muito mais do que
um arranjo, embasado em regras pré-estipuladas, de palavras, é muito mais do
que concordância ou ideias rasas e mal elaboradas; ela é, na verdade, um ato de
transgressão, de verificação daquilo que nos é imposto, de criação daquilo que
sentimos e percebemos, de identificação e de definição do nosso mundo; e foi
esse tipo de literatura que pretendi externar no meu livro, fazendo com que as
pessoas abandonassem aquilo que professores pedantes e burros dizem ser a
verdadeira literatura.
Tendo todos esses objetivos a serem
alcançados, fiquei muito feliz por ter conseguido escrever um livro que
relacionasse tais parâmetros — que eram
extensos, discrepantes entre si e me deram muito mais muito trabalho para
relacioná-los de forma coerente —, assim como
me senti satisfeito por ser capaz de descrever uma a história sob a perspectiva
de um personagem complexo, atributo esse que também não foi nada fácil.
Em sua faceta mais sensível e profunda,
o livro fala sobre amor e sobre aquilo que acho que as pessoas sentem, de
acordo com livros e algumas poucas observações — pois
em Sertãozinho é impossível estimar intensamente alguém, as pessoas aqui são,
em sua grande maioria, mega toscas, e aquelas que são um pouco interessantes
são desvalorizadas pela grande maioria tosca, por não se adequarem aos
parâmetros ridículos, e são deixadas de lado, ficam meio que desaparecidas,
escondidas por aí. A princípio, o protagonista está apaixonado, deparado com
uma sensação nova, que faz com que ele se sinta mais potente do que nunca,
fazendo com que, consequentemente, ele se sinta muito bem e feliz; ao mesmo
tempo, ele se vê receoso perante a valorização exagerada de uma pessoa em
particular, de um objeto em específico, incitando-o a tentar desconstruir
aquilo que é intenso e está se formando em sua mente — nesse caso, posso considerar essa como sendo mais uma
característica intrínseca de uma constituição mais consciente, mais racional, e
isso me deixa muito satisfeito, por ser eu alguém responsável por descrever
mais profundamente tal mecanismo; sei que outros autores desenvolveram essa
característica muito bem, considero Proust como sendo o melhor deles, mas,
mesmo assim, fico feliz por poder abordar um tema que considero estar muito
presente ao longo de nossas vidas, e, ao mesmo tempo, fico muito feliz por
poder identificar mais uma característica da nossa razão pura, que no incrível
livro de Kant foi especulada muito rasamente, definindo o menor esforço como
sendo uma parte intrínseca do nosso ser, e parando, infelizmente, por aí; ou,
melhor dizendo, posso considerar essa descoberta como podendo ser caracterizada
como derivada de uma crítica da razão consciente, pois as pessoas buscam,
avidamente, possuírem ideais e estruturas exatas, ilusões bem definidas e muito
bem direcionadas, que as tornam absurdamente vulneráveis, em se tratando de
quando se deparam com qualquer aspecto que ameaça tais ideais profundos,
aspecto esse que não é encontrado em pessoas racionais, que ao perceberem algum
tipo de construção exagerada tratam de alterar e afugentar tais parâmetros.
Assim o personagem se esforça para desconstruir esse sentimento,
relacionando-se com outra pessoa, que, em sua mente, será capaz de fazer com
que ele desconstrua seus sentimentos intensos, que são direcionados a uma
direção específica, atributo esse que o torna vulnerável, suscetível e fraco,
não importando o quanto essa pessoa em específico o faça se sentir bem.
Tendo essa perspectiva profunda
instalada em seu intelecto, o personagem se sente satisfeito ao ler o livro de
Schopenhauer sobre o amor, que lhe incita a ideia de que pode direcionar seus
sentimentos para onde bem entender, sendo seus sentimentos relacionados a nada
além do que desejos sexuais.
Sua mente, que estava bem
estruturada e tinha Ana como base dessa estrutura, sofre uma desconstrução
completa no momento em que o personagem vai se encontrar com a Isabela, o que
lhe permite sentir o nirvana (sensação essa que tentei descrever mais
profundamente no segundo livro).
Obtendo sucesso na tarefa de abdicar
à sua construção intensa, ele continua a viver satisfatoriamente, sem saber que
aquilo que o faz se sentir bem ainda está presente, influenciando-o, sem que
ele perceba. Esse aspecto, que coloquei no livro, tem como intuito fazer com
que as pessoas passem a questionar a sua capacidade de identificar seus verdadeiros
motivos, seus verdadeiros desejos e estruturas mais profundas, que, na
realidade, permanecem muito longe de qualquer percepção consciente,
influenciando-nos, de forma intensa, sem que possamos identificar o que
realmente é importante e essencial para nós. Essa característica nos remete a
nossa constituição em grande parte obscura e inconsciente, sendo que podemos
considerar que grande parte de nossas atitudes e motivos são misteriosos para
nós.
Ao perder aquilo que o agradava, ele
mergulha em uma fase dolorosa, de desespero, que foi floreada no livro,
diminuída, para não expressar sentimentos intensos, contra os quais as pessoas
comuns se protegem desde sempre e, portanto, estaria muito aquém de suas
realidades, não as permitindo compreender tais sensações. Nesse momento,
finalmente percebendo aquilo que o influenciava profundamente, ele passa a
desenvolver inconscientemente a ideia que Ana passou a representar em sua
mente. A distância do objeto que passou a ser desejado intensamente só faz com
que o protagonista exagere ainda mais em suas definições, criando, dessa forma,
uma imagem completamente equivocada e irreal.
Tornando-se uma ilusão exagerada, a
Ana passa a representar algo que todas as pessoas ou possuem ou buscam
avidamente, mas que, quase sempre, permanece oculto e muito longe de uma
identificação consciente.
Percebendo tais aspectos da nossa constituição,
o protagonista consegue facilmente refutar aquilo que estava escrito na
metafísica do amor, dessa forma refutando a base da teoria psicanalítica e se
vendo no papel de definir uma nova perspectiva que realmente relacione aquilo
que ele percebe, conduzindo-o à definição final do livro, que tenta estabelecer
uma nova forma de enxergarmos as coisas e nossos impulsos profundos.
Tentando explicar agora, vejo o
quanto eu perdi o controle do livro, vejo o quanto eu ainda preciso melhorar e
desenvolver mais satisfatoriamente os meus conceitos. Mas, mesmo com minha
falta de habilidade, as pessoas gostaram do livro; e isso, digo novamente, é o
mais importante.
No final do livro, tentei externar
uma nova forma de interpretar a psique humana e nossa necessidade mais
profunda, e imprescindível. Essa parte final, que ficou confusa, tenho de
admitir, foi como que um guia para o livro, sendo que sua existência é anterior
a qualquer tipo de possível elaboração de um roteiro do livro, sendo ela
utilizada como uma das referências, como um guia que me direcionasse durante a
elaboração da história.
Muitas pessoas dizem ser evidente a
minha pressa, ao longo da história, em alcançar a revelação final, a definição
das impressões desconexas, do protagonista, ao longo do livro. Tal observação é
precisa, exata, sendo essa pressa mais um dos meus defeitos.
Deixando de lado a correria e os
acontecimentos mal desenvolvidos, em função da minha vontade exagerada de
apresentar o ensaio final, passo agora a me concentrar no surgimento, na
formulação e na adaptação do final do livro, que constitui na inserção de
elementos e conceitos comuns, que poderiam ser assimilados pelas pessoas. Para
tanto, tive de alterar o conceito principal, com o qual realmente me identifico
— que foi expresso em sua total dimensão no livro O diário —, inserindo
conceitos desenvolvidos por Platão — Anima Mundi, para ser mais exato — e um
enfoque mais materialista, que me permitiu até mesmo apresentar o vergonhoso
exemplo da gravidade, que encontrei em um dos livros que li, das teorias de
Nietzsche e sua vontade de potência. Essas alterações foram necessárias para
fornecer ferramentas que facilitassem a compreensão, que, por fim, parece não
ter sido alcançada pelas pessoas que leram o livro, que, na maioria das vezes,
são incapazes de externar qualquer tipo de interpretação própria com relação ao
último capítulo.
A respeito do livro Laer Roma
Olá. Primeiramente tenho de dizer que fico muito feliz que tenha
gostado do livro. O fato de o livro ter sido elaborado com um proposito
comercial me deixou muito preocupado com relação a uma abordagem mais profunda e
especializada daquilo que foi proposto e construído por mim. Tenho que admitir
que muitas passagens foram simplificadas e a história simplesmente foi cortada
e omitida perante momentos onde os personagens começavam a refletir de forma
profunda, assim como a descrição dos personagens e dos ambientes, que se
tornaram sucintas e cheias de estereótipos (para fornecer referências
generalizadas, que facilitariam a interpretação por parte de todos os tipos de
leitores). No entanto, não abandonei minhas ideias para escrever um livro que
pudesse ter sucesso comercial - que pudesse agradar a grande massa de
leitores-; elas permanecem dentro do livro, sendo apresentadas de forma
subjetiva, estando praticamente ocultas dentre as passagens da história, sendo
apenas reveladas para alguém com um olhar mais atento e direcionado; para essas
pessoas elas se tornam gritantes.
Por meio desta que pode ser considerada uma carta, irei tentar elucidar
as passagens que transmitem a minha verdadeira forma de pensar e o verdadeiro
sentido do livro. Peço para que depois de tais explicações você releia o livro
e me transmita aquilo que você enxergou em sua releitura mais direcionada; ao
mesmo tempo, irei lhe enviar dois outros livros que escrevi, que irão ajudá-lo
a compreender aquilo que penso, e que adoraria que fosse analisado e debatido
por alguma pessoa que fosse especializada no assunto ou que, de preferência, se identificasse com aquilo que foi abordado no livro, podendo, dessa forma, fornecer uma perspectiva mais profunda e real sobre aquilo que tentei desenvolver com muito esforço, utilizando para tanto apenas minha imaginação, que, infelizmente, não pôde contar com experiências profundas, que poderiam me fornecer relações exatas, capazes de fazer com que o livro se tornasse ainda mais crível e bem estruturado.
Antes de iniciar a explicação do livro, preciso falar sobre minha maior
referência literária, sendo ela o autor Robert Musil. Tenho de dizer que quando
escrevi o LAER ROMA ainda não tinha contato com as obras desse autor;
entretanto, minhas perspectivas sobre muitos temas são absurdamente parecidas
com as desse autor que tanto admiro, e, após ter contato com tais obras, essa
coincidência de pensamentos fez com que eu me sentisse com muita vontade de
publicar minhas obras.
Ainda explanando sobre minhas referências literárias, tenho de salientar
minha paixão pelas obras de Nietzsche, sendo ele o responsável por fornecer a
base de todo o livro, sendo ela a vontade de potência, argumento esse que
servirá de fundamento para criticar a metafísica do amor e a manutenção das
espécies; sendo essa a principal discussão, o tema principal do livro.
Após feitas as devidas apresentações, irei introduzir dois textos,
escritos por mim, que foram fundamentais para a criação do livro. No primeiro
texto - que eu gostaria que fosse publicado junto com o livro, mas que foi
barrado pelo editor – tento elaborar a verdadeira sinopse, aquela que contém a
verdadeira essência do livro e não todas aquelas baboseiras sobre “bom partido”
escritas pelo editor Há Ha.
Sinopse do LAER ROMA, escrita por mim:
Laer Roma é um título exótico
que representa o conteúdo do livro, que é referente aos padrões de interações
pessoais de nossa sociedade atual. O autor Joseph Campbell, em uma de suas
análises, apresenta a teoria de que o amor, escrito ao contrário se refere a
Roma, condizente à forma institucionalizada assumida atualmente com relação a
esse assunto; laer é algo sem sentido, estranho, ligado a algo estatizado e
quase que obrigatório; definindo assim a expectativa atual do amor (segundo a
concepção geral). Aqueles que enxergam o mundo de um modo diferente, até mesmo
ao contrário (como se enxergassem através de um espelho) do que é definido como
normal, são os que ainda conseguem interpretar e possuir valores magnânimos em
suas vidas.
O livro se refere a um garoto,
chamado Lucas, que tem uma visão diferente de mundo (comparado à visão geral).
Ele é um garoto de ótima condição financeira, que lida com questões
filosóficas, existenciais, e com a ambivalência dos sentimentos. No livro Lucas
se encontra praticamente em um estado pôs assassinato do totem (referente às
pesquisas de Freud com relação ao complexo de Édipo), onde os valores vigentes
deixam de existir e novos valores são integrados, sem mais possuírem relação
com uma figura divina e onipotente; sendo o responsável por criar suas próprias
crenças e condutas, Lucas define suas interpretações sobre suas sensações e
percepções, sendo elas dignas de um ser evoluído, quase como o super-homem
descrito por Nietzsche. Essa característica faz com que não recorra à
mistificação do antigo pai (que determina condutas e formas de ser), na figura de
um ser onipresente como deus. Essas características o permitem viver uma vida
intensa, racional, ilimitada e, acima de tudo, real. No livro, essa conduta de
Lucas é subjetiva, se caracterizando principalmente pela completa ausência do
pai.
A essência do livro se
caracteriza por uma crítica à libido sexual, definida por Freud como a base da
vontade humana, e refuta os argumentos apresentados por Schopenhauer sobre o sentido do amor. Com relação ao amor (que é a temática do
livro), são descritas as experiências e interpretações de Lucas, esse ser
humano tido como evoluído, que transmitem uma forma de amar inovadora,
definindo uma nova teoria da interação entre os seres humanos e o meio.
O próximo texto foi escrito por
mim antes do livro, e serviu como referência, como o caminho a ser seguido por
mim durante a história que tentei desenvolver. Esse fato se torna evidente
quando me precipito, quando acelero a história, tendo como único objetivo alcançar
o final, que eu me propus a externar, e que me fez desenvolver uma história,
criar personagens, cenários e um enredo, tudo com a intenção de tornar a ideia
mais comercial e atrativa, não sendo discriminada por ser apresentada de modo
estritamente teórico e maçante.
Texto que serviu
como referência para o livro:
As
coisas à nossa volta parecem ser inertes, irrelevantes, não suscitando nada de
especial, ou diferente, em nós. No entanto, às vezes nos deparamos com algum
elemento que ultrapassa a nossa indiferença e frieza perante as coisas e parece
nos atingir violentamente, adquirindo um poder descomunal sobre nós. Esse
objeto, que se torna um elemento de suma importância, passa a influenciar
diretamente o nosso estado de espírito, o nosso humor. Cada vez que esse
elemento se afasta, cada separação forçada, faz-nos sentir uma tristeza
profunda, uma redução da potência; assim como cada aproximação do objeto é
responsável por uma alegria reconfortante e satisfatória, um aumento da
potência.
Entretanto,
o objeto que tanto estimamos apenas pode nos influenciar quando se encontra à
distância, quando permanece intocável e inverificável. A partir do momento em
que conseguimos entender e perscrutar pormenorizadamente o objeto que tanto
estimamos, esse simplesmente é desconstruído, perde-se em meio a uma definição
embasada em proporções realistas, que refutam tudo aquilo que havíamos
imaginado que aquele objeto poderia nos proporcionar.
Após
a nossa desilusão inicial, vamos percebendo o quanto nossa alma apenas almeja
desejar, ser direcionada a algo, sendo a obtenção dessa algo um acontecimento
aterrorizante, desesperador. Então, podemos nos considerar como sendo
perseguidores de ideais; para ser mais exato, podemos nos considerar como
ciclistas, que precisam estar em movimento, em direção a algo, para que não
paremos, atitude essa que muito provavelmente nos fará perder o equilíbrio, nos
fará cair.
Mas,
mesmo com a nossa necessidade intrínseca de movimento, de ideais, às vezes
algumas pessoas obtêm um nível intelectual que não as permitem se desvencilhar
da dolorosa constatação de que a vida é totalmente inútil, que nossos ideais
são completamente absurdos e nunca nos levam a nada. Nesses casos, de
desconstrução intelectual profunda, a vida começa a se assemelhar a um sonho, a
um acontecimento distante e sem relação conosco, onde nada mais tem a
capacidade de se tornar um ideal, de nos influenciar de forma intensa.
Incrivelmente
apáticos e desiludidos, os seres intelectualmente desenvolvidos passam a
desprezar as suas atitudes e esforços, que para eles passam a ser considerados
como sendo desnecessários. A vida e todos os seus aspectos passam a ser
irrelevantes; o intelecto perde por completo a possibilidade de elaborar
objetivos inconscientes, cabendo apenas à analise consciente do indivíduo a
tarefa de elaborar e se posicionar perante as coisas; essa característica, a
princípio, incomoda sobremaneira, por não mais permitir a construção de
qualquer tipo de ideal, de meta, mesmo sendo essas elaborações inconscientes e
equivocadas, fazendo com que o indivíduo se depare com uma dor profunda e sem
fim, que não é amenizada pela construção de ideais e de cenários que afugentam
as incertezas e o desespero. Cada novo acontecimento apenas entristece, apenas
incomoda. No auge do desespero, o ser racional quer, a todo custo, fugir de si
mesmo, por não mais se suportar, por não mais suportar as condições que a vida
lhe apresenta.
Esse
aspecto raro e perigoso, é o responsável por causar a mais sensível e profunda
das mudanças, fazendo com que o indivíduo perca sua capacidade primordial e
primitiva de formular sua alma, e adquira uma definição mais refinada e
evoluída para os aspectos referentes à sua alma.
Após
essa mudança drástica, o indivíduo se torna capaz de formular sua alma tendo
como base parâmetros que não possuem relação direta com o próprio indivíduo e
seu corpo. Dotada de uma elaboração que se tornou completamente virtual e
desprendida dos aspectos corporais, a alma não mais consegue adotar parâmetros
limitados, que tenham relação apenas com o próprio indivíduo.
Esse
ser racional e evoluído, que atingiu essas condições psíquicas, torna-se capaz
de amar, torna-se capaz de valorizar algo externo a ele de forma muito mais
intensa do que o modo como valoriza a si próprio.
A
capacidade de amar desses seres raros faz com que eles obtenham uma condição parcialmente
exata da maneira como as coisas devem ser. Esse cenário de admiração profunda
por algo restringe as múltiplas possibilidades que constantemente estão
competindo para influenciar nossas ações, nosso jeito de ser e de nos portarmos
perante as coisas. Essa característica permite que esses indivíduos se sintam
completamente seguros de si e de suas ideias e atitudes.
Durante
essa paixão profunda dos seres evoluídos, a ausência de múltiplas
possibilidades torna as ações muito mais potentes, precisas; torna a vida mais
bem direcionada, mais precisa, mais fácil. A mente não mais se depara com
parâmetros múltiplos a serem desenvolvidos, analisados e ponderados, aspecto
esse que proporciona uma maior capacidade de concentração e uma calma profunda
à mente.
Entretanto,
o ser de raciocínio evoluído acaba por desconstruir o objeto que tanto o
encantou, que lhe direcionou e que proporcionou tanta satisfação. Ainda
possuindo sua estrutura apaixonada e bem direcionada, o indivíduo raro vai
desconstruindo o objeto amado. Em sua mente bem direcionada e que não mais
possui parâmetros múltiplos e concorrentes, que incitam avaliações e
proposições imensuráveis, a desconstrução permite que o indivíduo se depare com
o nirvana, com a ausência da alma.
A
sensação de êxtase absoluto, de satisfação absoluta, do fim da vontade, da
potência máxima, nunca dura muito tempo. A mente se propõe, de imediato, nesses
casos, a reconstruir a alma, a posicionar-se perante o espírito.
O
retorno dessa experiência rara é sempre transformador. Após conhecer a
necessidade mais profunda e primordial do intelecto, da nossa existência, o
indivíduo adquiri uma informação que irá fazer com que ele altere, por
completo, a forma de analisar e de se posicionar perante as coisas.
Acho que me estendi demais em
uma explicação que eu pretendia transmitir de forma sucinta, mas esse é o
grande problema, sendo esse problema ainda presente em minha vida; minhas
reflexões sobre muitos assuntos me parecem ser intermináveis, fazendo com que
seja preciso que eu escreva muitos e muitos textos, sem que com isso eu consiga
expressar aquilo que realmente penso e sinto, que ainda permanece
incompreensível nas profundezas insondáveis da minha mente.
Mesmo com essa explicação pela metade, que não relaciona minhas referências
com a história construída no livro LAER ROMA, sinto que não devo me estender
mais. Eu forneci os textos que serviram de base para o livro e também irei
emprestar meus dois últimos livros. Eu ficaria muito satisfeito se você os
lesse e me externasse suas opiniões sobre minhas interpretações sobre muitos
sentimentos e sensações.
terça-feira, 24 de maio de 2016
E dizem que ser inteligente é ser capaz de memorizar alguns conceitos...
A mudança é sempre dolorosa e exige
demais de nós. Sempre iremos nos sentir atormentados quando os parâmetros que
nos guiavam, e nos ajudavam a possuir uma perspectiva exata sobre as coisas,
simplesmente são pulverizados, sucumbindo a um novo arranjo que nos mostra o
quanto aquilo em que acreditávamos era incoerente, irreal, obrigando-nos a
adquirir uma nova interpretação para as coisas, obrigando-nos a alterar nossa
estrutura particular e subjetiva, e, consequentemente, alterando nossos
desejos, metas, preferências, reações, comportamento... sendo mais específico:
alterando-nos por completo.
Durante
os períodos de mudança, onde uma alteração conceitual faz com que passemos a
observar as coisas de uma forma completamente diferente – fazendo com que o
mundo adquira nuances nunca antes imaginadas por nós –, constantemente nos
sentimos irremediavelmente desesperados, aspecto esse que incita atitudes
intensas, resoluções violentas. É somente nesses períodos de mudança que
percebemos o quanto nossos mecanismos de proteção são importantes; apenas nos
momentos mais sombrios e desesperadores – onde uma nova concepção, falha e mal
estruturada, não impede que nossa imaginação crie os cenários mais deploráveis,
insuportavelmente assustadores – que percebemos o quanto são indispensáveis nossas
ilusões e interpretações capciosas, que visam, a todo custo, impedir que nos
deparemos com tais momentos obscuros e dolorosos.
Entretanto,
quando não estamos devidamente protegidos, ou quando olhamos desatentamente
para algo previamente bem elaborado na nossa mente – analisando-o sob novas
perspectivas e designando novas possibilidades àquilo que antes era exato e
único –, podemos adquirir uma perspectiva completamente nova, que nos mostra
aspectos muito mais coerentes do que nossas crenças anteriores, fazendo com que
desconstruamos aquilo que anteriormente era considerado como sendo exato,
inquestionável e irrefutável.
Em
meio aos destroços de uma mentalidade anteriormente bem definida, torna-se
evidente o quanto eram incoerentes e insuficientes as relações que nos pareciam
inquestionáveis. Despidas do exagero, provido por nossa imaginação, tudo aquilo
que nos motivava e dava sentido torna-se insosso, ridículo. Ao mesmo tempo que
percebemos isso, notamos o quanto nosso inconsciente se esforça para
estabelecer uma estrutura exata, uma correlação irrefutável, daquilo que
percebemos.
Durante
os primeiros dias de desconstrução, cada hora de sono é vista como sendo um
alívio abrangente, um momento de salvação perante o desespero sem fim de um
mundo desconexo. Ao acordar, nossos pensamentos e conceitos estão bem
estruturados e definidos, cada acontecimento passa a ter, novamente, relação
com parâmetros bem definidos, bem delimitados, não mais proporcionando
associações descontroladas e exageradas. Essa serenidade reconfortante faz com
que nos sintamos mais satisfeitos, mais potentes; nosso desejo mais profundo
seria a manutenção de tal estado, mas nossa consciência não nos permite isso.
Após um breve momento, os parâmetros bem estruturados durante o sono são
novamente questionados através de novas perspectivas, fazendo com que,
novamente, aquilo que nos guiava seja destruído.
Um
arranjo, antes tão exato, volta a possuir múltiplas interpretações, sendo,
através de aspectos discrepantes, desconstruído. Concomitantemente com a perda
de nossas estruturas exatas, somos acometidos por pensamentos assustadores,
que, na ausência de estruturas exatas e mecanismos de proteção, vagam
profundamente, e incessantemente, pela nossa mente.
Os
cenários com os quais nos deparamos, que foram analisados pela nossa
imaginação, parecem ser milhões de vezes mais dolorosos do que a morte,
incitando, desse modo, o desejo de que a dor dilacerante se encerre com o
suicídio. Essa alternativa é intrínseca a uma mentalidade exímia em
desconstruir, sendo, muitas vezes, a única saída possível para o desespero sem
fim. Mas, mesmo essa única solução pode gerar ainda mais dor... Ao se propor a
executar a única solução satisfatória, a mente, que desenvolve cenários e consequências
em lugares situados muito além do nosso controle e consciência, elabora consequências
para esse ato que nos deparemos com cenários mais dolorosos e desesperadores do
que aqueles que nos incomodavam anteriormente.
Todo
esse conflito interno, toda essa dor, incita todo tipo possível solução que
promete amenizar e afugentar aquilo que nos atormenta. Isso, que considerar
como uma válvula de escape, geralmente é direcionado para a sexualidade, não
sendo essa, necessariamente, a única alternativa para que façamos com que o
cenário em nossa mente se torne menos assustador.
Após
essa breve análise sobre a desconstrução de nossos ideais, não é de se espantar
que as pessoas afugentem, com todas as suas forças, qualquer tipo de conceito
ou questionamento que destrua suas crenças, seus conteúdos bem definidos que as
direcionam durante a vida.
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